"Multiplica os teus olhos para verem mais.
Multiplica os teus abraços para semeares tudo."
Cecília Meireles

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Momento de poesia

Fernando Paixão

"O poeta escreve poesia para ser criança todo dia."




Manuel Bandeira (Canção da pipa)

Voa, pequena pipa, voa,
Eleva-te com vontade aos ares
Empina, pequena coisa azul, empina,
Sobre a nossa catacumba de casas!
Se nós te seguramos pela linha
Tu te manténs nos ares
Escravo dos sete ventos
A levantar-te os obrigarás.
E nós ficamos a teus pés!
Voa, voa, pequeno ancestral
De nossos grandes aeroplanos
Olha ao teu redor para saudá-los!



Carlos Drummond de Andrade (Memória)

    Amar o perdido
    deixa confundido
    este coração.

    Nada pode o olvido
    contra o sem sentido
    apelo do Não.

As coisas tangíveis

    tornam-se insensíveis
    à palma da mão

    Mas as coisas findas
    muito mais que lindas,
    essas ficarão.




Mário Quintana (A Vida)
Mas se a vida é tão curta como dizes porque que é que me estás lendo até agora?



Cecília Meireles (Retrato)

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Queremos que você compartilhe seus poemas prediletos, aguardamos a sua postagem!

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